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OGM/ GMO: o que é e prós e contras

  • Foto do escritor: Sofia Lourenço
    Sofia Lourenço
  • 20 de jan. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 6 de jun. de 2025

Os OGM (Organismos Geneticamente Modificados), ou, em inglês, GMO (Genetically Modified Organism), são um tema amplamente debatido. Muitas pessoas se opõem a essa tecnologia sem entender completamente o que ela envolve, enquanto outras a defendem, embora não tenhamos tempo suficiente para observar os impactos do consumo e do cultivo de OGM na nossa saúde e como isso pode afetar o planeta.

Neste artigo, discutiremos os prós e contras dessa tecnologia, além de apresentar alguns exemplos de como os OGM estão sendo usados para melhorar as práticas agrícolas e a nossa saúde. 


Figura 1: Bananas

Bananas: alimentos alvo de modificação genética



O que são os OGM? ogm gmo o que é prós e contras

De forma simples, um OGM é qualquer organismo cujo DNA foi modificado para atingir um objetivo específico.

Existem organismos geneticamente modificados com genes do próprio organismo, também os de espécies sexualmente compatíveis e os de organismos distintos. Dependendo do tipo de modificação, os OGM podem ser classificados como:

Transgênicos

Quando genes de outras espécies são inseridos.

Cisgênicos

Quando os genes vem de um organismo da mesma espécie ou de uma espécie muito próxima e compatível.

Estas são as classificações mais conhecidas, porém há muitas outras.


Os seres humanos modificam genes há milhares de anos. A reprodução seletiva e o cruzamento, são exemplos disso e permitiram que os agricultores criassem plantas com características desejáveis, garantindo melhores colheitas. Um exemplo disso é o cultivo do milho, que apresenta uma variedade de cores, tamanhos e formas de uso. Esse é um processo lento e contínuo, muitas vezes com resultados finais imprevisíveis.

O enxerto é outra técnica "clássica" usada ao longo da história. 


Também poderá ter ouvido falar em "edição de genes", que é uma técnica especifica para produzir OGM por meio da inserção precisa de genes. Embora semelhante à modificação genética, a edição de genes permite uma modificação mais direcionada e específica. 


A modificação genética pode ajudar os agricultores a combater pragas, salvar colheitas da seca ou de doenças, e até tornar os alimentos mais nutritivos. Com o uso da modificação genética, também é possível reduzir a necessidade de pesticidas nas lavouras.


Um exemplo de biotecnologia aplicada à medicina é o desenvolvimento da insulina para diabéticos humanos em 1977, um OGM aprovado em 1982. 


Quais colheitas OGM podemos encontrar nos supermercados? 


Os alimentos geneticamente modificados mais comuns no mercado global são milho, soja e algodão. Novos produtos estão sendo constantemente estudados. 


Nos EUA, atualmente, existem 13 cultivos OGM aprovados. Até setembro de 2022, o Brasil havia aprovado 127 plantas transgênicas ou eventos transgênicos.

Já na União Europeia, apenas um OGM está autorizado para cultivo, o milho MON810, produzido principalmente em Espanha e Portugal. Apesar dessa autorização a nível da UE, a maioria dos estados-membro proíbe o cultivo desse milho. 


É importante ressaltar que, embora apenas um tipo de cultivo seja autorizado na UE, isso não impede que alguns produtos encontrados nas prateleiras contenham OGM.


Exemplos de alimentos OGM e suas modificações: 


  • Abóbora, mamão: resistência a doenças 

  • Soja, milho, algodão: resistência a insetos e tolerância a herbicidas 

  • Canola, alfafa, beterrabas: tolerância a herbicidas 

  • Batata: não escurece, menor formação de hematomas, resistência a doenças e diminuição da produção de acrilamida* 

  • Maçãs: não escurecem 

  • Salmão: cresce mais rápido 

  • Berinjela (Bangladesh e Índia): resistência a insetos 

  • Abacaxi rosa (Costa Rica): aumento de carotenoides 


* Acrilamida

É uma substância produzida pela reação entre açúcares e aminoácidos presentes em alimentos submetidos a temperaturas superiores a 120°C. Em 2015, a EFSA (European Food Safety Authority) concluiu que a acrilamida é cancerígena, considerando a sua presença em alimentos um problema para a saúde. 



Rotular ou não rotular? 


Muitos consumidores defendem a rotulagem obrigatória dos produtos OGM, exigindo maior transparência e o direito de escolher os alimentos que consomem. Por outro lado, críticos argumentam que os rótulos podem confundir os consumidores e gerar um medo desnecessário da biotecnologia. 


Figura 1: Rótulo 'Derivado de Bioengenharia' colocado na embalagem de alimentos que contêm OGM

Rótulo desenhado para identificação de produtos derivados de bioengenharia


Nos EUA, a partir de 2018, tornou-se obrigatória a rotulagem de alimentos com OGM, que pode ser feita por meio de texto, símbolo ou link eletrônico. No entanto, os fabricantes não são obrigados a listar ingredientes OGM em alimentos refinados, desde que os níveis de OGM sejam indetectáveis. Esses ingredientes incluem, por exemplo, açúcar de beterraba refinado, óleo de soja e adoçantes de milho derivados de sementes geneticamente modificadas. As empresas devem realizar testes para provar que esses ingredientes não contêm material OGM. 


Na União Europeia, Japão e Austrália, é exigido que produtos com mais de 0,9%, 5% ou 1% de ingredientes OGM, respectivamente, sejam rotulados. 



Por que modificar geneticamente os alimentos? 


É fácil esquecer a insegurança alimentar em países onde a escassez nutricional não é um problema, mas a realidade é diferente em muitas partes do mundo. Em países em desenvolvimento, deficiências de ferro e vitamina A são comuns. À medida que a população mundial cresce e as mudanças climáticas afetam a agricultura, a ciência torna-se uma ferramenta crucial para produzir mais alimentos. 


As ervas daninhas são um dos maiores  problemas causadores da diminuição da produtividade agrícola. E infestações de insetos podem destruir colheitas inteiras. A modificação genética surge como uma possível solução para esses problemas. 


Como os OGM podem ajudar? 


Aqui estão alguns exemplos de como a modificação genética pode beneficiar a oferta alimentar: 

  • Mamão Arco-Íris: O mamão havaiano foi salvo de um vírus devastador por meio de modificação genética, utilizando DNA viral como uma espécie de "vacina" para a planta. 

  • Bananas: A murcha da Xanthomonas, uma doença mortal, está a dizimar as plantações de bananas na África. Um alimento muito consumido pela sua população e também muito exportado. Cientistas estão a trabalhar em variedades resistentes a essa doença. 

  • Arroz Dourado: O arroz dourado foi desenvolvido para conter betacaroteno (que pode ser encontrada na cenoura e outros vegetais), precursor da vitamina A, ajudando a combater a deficiência dessa vitamina em países que o acesso a alimentos ricos da mesma é reduzido. 

  • Milho resistente à seca: Cultivos de milho que resistem à seca estão a ser desenvolvidos para aumentar a segurança alimentar, especialmente em regiões propensas a períodos de seca. 

  • Laranjas: O OGM pode ser usado para combater a clorose cítrica, uma doença que afeta a produção de laranjas, especialmente na Flórida. 

Quais são as maiores preocupações? 


Apesar dos sucessos, muitas pessoas continuam céticas quanto aos benefícios dos OGM. As principais preocupações envolvem os efeitos na saúde e no meio ambiente. Embora as pesquisas indiquem que os produtos OGM disponíveis no mercado são seguros, muitas pessoas se preocupam com o "desconhecido" das novas proteínas transcritas pelos genes modificados. 


Quanto ao impacto ambiental, é um pouco mais difícil de medir, exigindo mais tempo e estudo. As principais preocupações envolvem a transferência de genes para espécies não modificadas, resistência de insetos e ervas daninhas, e efeitos na biodiversidade.


Algumas plantas OGM foram desenvolvidas para produzirem proteínas tóxicas para pragas específicas, ajudando a reduzir o uso de pesticidas. Resumidamente, os insetos comem a planta e morrem. As proteínas são direcionadas a pragas específicas para garantir que apenas os insetos prejudiciais sejam afetados, ao contrário dos pesticidas. 

   Além disso, o uso intensivo do glifosato, herbicida comum, causou resistência em algumas ervas daninhas, o que pode exigir uma abordagem mais sustentável no futuro.

 

Bem-estar dos agricultores 


Existem preocupações sobre o uso de "genes terminadores", que impediriam os agricultores de reutilizarem sementes no ano seguinte, forçando-os a comprar sementes a cada ciclo, enriquecendo assim as corporações detentoras da tecnologia. No entanto, essa tecnologia não está em uso atualmente. 


A contaminação de culturas não OGM por polinização cruzada também é uma preocupação, afetando financeiramente os agricultores orgânicos.  


Em países em desenvolvimento, as sementes geneticamente modificadas são frequentemente distribuídas gratuitamente. 


Embora as preocupações sejam legítimas, muito da resistência aos OGM vem da desconfiança nas grandes empresas de biotecnologia. A falta de comunicação adequada com o público contribui para essa desconfiança. Cientistas e empresas devem trabalhar para reverter esse cenário, promovendo a transparência e compartilhando histórias de sucesso dos OGM na agricultura e na saúde. 


Como qualquer tecnologia, os OGM apresentam prós e contras que devem ser analisados. A pesquisa está em constante evolução, e é importante tomar decisões com base nos dados disponíveis. Este é um tema que deve continuar a ser acompanhado e debatido no futuro.  ogm gmo o que é prós e contras



Referências: 

Be in the know on gmos. Cravings of a food scientist, 2019. Disponível em: <https://cravingsofafoodscientist.com/2019/02/22/be-in-the-know-on-gmos/>. Acesso em: 19 de jan. de 2025. 

How has genetic engineering changed plant and animal breeding?. FDA, 2024. Disponível em: <https://www.fda.gov/food/agricultural-biotechnology/science-and-history-gmos-and-other-food-modification-processes>. Acesso em: 19 de jan. de 2025. 

Descubra quais são as plantas transgênicas aprovadas no Brasil. CroplifeBrasil, 2022. Disponível em: <https://croplifebrasil.org/aprovacoes-plantas-transgenicas-e-eventos-transgenicos/>. Acesso em: 19 de jan. de 2025. 

Cultivo de OGM em Portugal. APA Agência Portuguesa do Ambiente, 2021. Disponível em: <https://apambiente.pt/prevencao-e-gestao-de-riscos/cultivo-de-ogm-em-portugal>. Acesso em: 19 de jan. de 2025. 

USAD emite diretrizes de rotulagem de GMO. JBTC, 2019. Disponível em: <https://www.jbtc.com/foodtech/pt-br/news-and-events/press-releases/usad-issues-gmo-labeling-guidelines/>. Acesso em: 19 de jan. de 2025. 

Acrilamida: substância em frituras é cancerígena?. Ecycle, 2019. Disponível em: <https://www.ecycle.com.br/acrilamida/>. Acesso em: 19 de jan. de 2025. 


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